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quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

discutir literatura de homens ou mulheres no vestibular mascara o mais importante

 


figuras importantes da literatura, por aqui, não vêem com bons olhos a escolha de uma lista de leitura composta apenas por mulheres, para o vestibular da usp (fuvest), em 2026. de certa forma, uma lista só feminina pode mascarar o machismo inerente à cultura do país, principalmente nos século 19 e 20. concorda-se.
direito reconhecido em criticar o que quer que seja, tudo certo também. agora, sinto que se dá importância demais a um exame que não pretende medir o grau de conhecimento de estudantes. se fuvest escolhe este ou aquele, esta ou aquela, não vai alterar o preço do feijão. a literatura dos homens -- excluídos da lista -- não será excluída do mundo, eles continuarão aí. vestibular é exame, não é prova. vestibular não premia o bom esudante, a boa estudante. quem passa no vestibular xis só prova que foi bem naquele tipo de exame. passar em vestibulares, por aqui, não é tarefa apenas para quem estuda muito, mas sim, quem treina aquele tipo de prova.   
repito: legal discutir literatura, machismo, racismo etc. agora, não dá pra dar tanta moral pra uma prova (fuvest) que, de fato não busca medir conhecimento de modo pedagógico. quem faz isso é escola. pelo menos, deveria fazer. vestibular é exame. exclui, elimina, não gera aprendizado de fato. compare com a prova da carteira de motorista: fazer baliza e saber ler placas de trânsito não faz da pessoa -- necessariamente -- excelente motorista. educação no trânsito é outra coisa.
essa discussão sobre mais homens ou mais mulheres, no vestibular encobre o principal: leitura na escola (ens médio e fundamental). o debate de verdade precisa morar dentro das escolas. como estão as leituras nas salas de aula?

    clique aqui e veja a lista 2026 fuvest

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sábado, 8 de outubro de 2022

dicas de leitura - ensino fundamental e médio

 



      LEITURAS PARA SALVAR O MUNDO

dentro desse mundo repleto de barbárie, há de se começar por algum lugar e, como trabalho em escolas, achei que poderia compartilhar o que pretendo fazer ano que vem com meus estudantes, todos do ensino médio.  de repente ajuda, no mínimo, a combater essa enxurrada de violência, ódio e racismo. quiçá, mudar o mundo pra melhor, de uma vez. 

 1. "a vida não é útil" (krenak) 

sugestão: 9o (fund2) e ensino médio

-- cuidar do planeta
-- relação do humano com a tecnologia
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 2. "olhos d'água" (conceição evaristo)

sugestão: ensino médio

- - pelo menos dois contos: o primeiro e mais um

-- debate sobre racismo estrutural; amor; passado da negritude

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 3. "pequeno manual antirracista" (djamila)

-- racismo institucional e estrutural

sugestão: ensino médio, 8o. e 9o. anos

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 4.  "campo geral" (g rosa)

sugestão: ensino médio 

-- família o que é; infância; ética; busca de felicidade

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 5. "o conto da ilha desconhecida" (saramago)

sugestão: ensino médio

-- busca de felicidade; rei versus povo; sonhar; coletividade; viajar

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 6. "ideias para adiar o fim do mundo", krenak

sugestão: 9o. ano e ensino médio

-- ambiente; futuro; comunidades indígenas; tecnologia

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 7. "o visconde partido ao meio" (calvino)

sugestão: 9o ano e  1a. série ensino médio

-- maniqueísmo; bem e mal; preconceito; democracia

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8. "cartola - dez sambas" (agenor de oliveira / música)

-- lirismo na literatura, desde idade média; questão social; identidade

sugestão: 8o. e 9o. anos; ensino médio

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as leituras precisam ser compartilhadas com pelo menos mais um educador, educadora... ideal era que toda classe docente, em algum momento do ano, tratasse de um tema -- pelo menos -- dentro da leitura escolhida; mesmo no caso das chamadas "exatas" é possível ter um instante pra discutir, por exemplo, como a ciência, pode colaborar para acabar com racismo, preservar mais a natureza etc. olhem, em "conto da ilha..." o tema é a busca de um lugar novo que muito bem pode estar dentro de cada um... navegar é preciso, diz um ditado luso... por isso, unir música, história e física pode tornar a leitura de saramago (item 5) algo surpreendente.  é possível sim, juntar as áreas de matemática, arte e língua portuguesa para discutir economia, poluição, mundo digital, espírito colaborativo, reciclagem... ideia não falta.
olhe, se você acha que não dá pra salvar o mundo todo agora,  a gente pode tentar salvar uma pessoa de cada vez, mês a mês, ano a ano.


terça-feira, 8 de março de 2022

8 de março é dia de...

 

hoje foi meu primeiro dia, na sala do curso pré-vestibular. teria sido semana passada, mas foi feriado.

é o início do curso de literatura. revisão de tudo, foco nos vestibulares do fim do ano. nada de novo aí.
mas calhou de ser no dia 8 de março a aula. então, abri minha caixa de ferramentas, peguei uma das mais pesadas -- o aborto -- e fui com ela pra sala. mostrei poemas de camões, drummond, até bilac. tirinha do calvin também foi. caminho parecia seguro mesmo.

quando mostrei a letra da iza, "dona de mim", já senti que seria um dia bom. a letra é de resistência, é de protesto e bem combina com esse momento em que a violência contra mulheres continua. foi ótimo ler os versos da cantora e compositora. "eu que fiquei quieta, agora vou falar" (iza).

em seguida, coloquei uns títulos na tela que envolvem a questão da violência contra mulher. primeiro: "semana de arte moderna 1922" -- que remete à exposição de anita malfatti, cinco anos antes e a crítica feroz do lobato. crítica que não seria a mesma se fosse a um homem. etc... etc.. . segundo: "angústia", do graciliano (1936). lá o tema "aborto" é escancarado. num brasil patriarcal movido a fundamentalismo pseudo-religioso, só pode dar nisso: aborto, aqui, é proibido. vai vendo. é proibido porque a masculinidade tóxica e retrô decide sobre o corpo da mulher. e, na aula, disse que o corpo da mulher é da mulher mesmo. a decisão é dela. insisti com os estudantes para que me dissessem o que pensavam do que eu estava mostrando, falando. olhem, fui acolhido, principalmente pelas mulheres, ali. algumas agradeceram por ser uma figura masculina a tocar no assunto tão delicado e do onde muitos outros homens fogem. eu quero poder fazer alguma coisa. dar voz, pelo menos. levantar o assunto, na sala de aula. fiquei comovido, cara de palerma, ainda bem que tava de máscara. mas continuo comovido. e você, professor, professora... até quando vai se calar?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

aula de literatura -- ensino médio -- professor oferece revisão grátis

 


aulas de revisão de história da literatura.
para ensino médio e pré-vestibulandos.

por quê ?  - -  alcançar quem precisa; atingir quem tem dificuldade para estudar, seguir em seu curso

quando ?  -- agora ! a primeira aula já saiu! inscreva-se no canal! 

veja como é! clica no vídeo abaixo

[ tem pergunta pra você responder, na descrição, depois de asssitir ]



quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

educação sempre liberta -- principalmente na escola

 

                                                [ imagem clichê pra atrair mais gente ]

não existem duendes que atacarão seu pudim de leite, assim como inexistem fórmulas mágicas para melhorar a vida de estudantes, em sala ou fora dela. quando a questão é deficiência de aprendizado, muito se lê sobre desatenção, timidez ou livros com poucas figuras. pode ser, pode não ser. e a avaliação, como vai? e a relação professor(a)-estudante existe?
numa viagem sem planejamento, todo motorista é cego. 
cego ou aventureiro. 
penso assim:
reuniões entre áreas; canal aberto, direto entre professores e direção, entre professores e coordenadores de nível (médio/ fundamental). existir avaliação de todo corpo docente e direção.
toda a comunidade precisa estar ciente das metas e objetivos das aulas de cada matéria. quando tudo se expõe, no início do ano, todos ganham. dar voz ao aluno é básico. não há quem suporte meia dúzia de aulas apenas anotando e ouvindo. o professor deve interagir com sua sala, transmitindo um mínimo de segurança, baseando seus conceitos na ciência e na cidadania. tratar de temas como ética, gênero, democracia e saúde é dever de todos.
não deve haver prato proibido no restaurante da educação.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

redação enem 2020 é apelo à sanidade e empatia

 

o tema para redação 2020, enem (prova em janeiro 2021) foi saúde mental e seus estigmas.

vale sempre lembrar que em dezembro 2020, governo federal anunciou que encerraria programas ligados à saúde mental via sus. 

os textos motivadores trataram de números sobre saúde mental, dando conta de que o brasil é o primeiro do ranking da depressão. 

também se leu que redes sociais contribuíam para prejuízos na saúde mental, uma vez que buscam validar uma vida perfeita.

olhem, importantíssimo tema. assim como coronavírus não é "gripezinha", depressão -- por exemplo -- não é frescura (só pra usar um termo de um dos textos da prova). o estudante poderia seguir o caminho da prevenção, defendendo ideia de mais ofertas de profissionais especializados em espaços públicos -- como os do sus -- e isso levaria a argumentações ligadas aos benefícios da terapia, do apoio psicológico, principalmente em tempos de pandemia. ao final deste post, vídeo que fiz, em 2019, sobre saúde mental e outro sobre drogas (2020), dão ideia de que era importante para estudantes e professores tratarem do tema "saúde mental" permanentemente, quer seja pela depressão, quer seja pela busca de uma saída aos vícios a drogas lícitas ou não, dentre outras causas a esses desconfortos psicológicos.

em 2020, alunos da segunda série do ens. médio -- antonella e cauê, principalmente -- reforçaram uma ideia que tive sobre campanha comunitária ao setembro amarelo. foi ótimo o trabalho, mesmo com aulas remotas. estendi a ação para terceira série, recebi retornos muito bons de vários alunos também: maria fernanda, laura ferragut, joão, goya, bia melo, julia lopes e outros tantos. 

numa ação que se chamou "ao vivo em debate" -- que criei com apoio da coordenação --, debati com professora amanda e alunos de nono ano e ensino médio o setembro amarelo, a questão do suicídio... foi bem produtivo. 

espero que meus alunos que prestaram enem 2020, assim como outros tantos brasil afora, tenham feito boa prova. estudantes para quem universdade é ascensão social, segurança quanto a uma busca por prazer no trabalho.




sábado, 19 de dezembro de 2020

escola que anima e acolhe: sugestões ao planejamento


                 

desenho acima é de jean-marc coutê, 1899. 

ele responde pergunta curiosa: como seria a escola em 2000?  

então, fez este desenho. será que errou? não, claro. 

sempre trabalhei na rede particular de ensino, desde 1986, com carteira assinada. antes disso, entre 1982 e 83, fui assistente de professores de redação no cursinho pré-vestibular, no colégio em que terminei o ensino médio, ribeirão preto, s paulo. o início foi aí. 

um de meus professores foi o escritor luiz puntel. com ele comecei essa história de compartilhar algum conhecimento e acolher quem tinha dificuldade.

daí, penso em uma escola que pudesse ser mais acolhedora. 

entre os anos 1950 e 70, muita discussão sobre psicologia e aprendizado, pelo planeta. no período, com destaque mundial, está paulo freire. contudo, tanto a rede pública, como a privada, desde a ditadura militar, resolveram seguir caminho conservador-tradicional, para o educar: punição, reprovação, medo, autoritarismo disfarçado de disciplina etc etc. são raras as instituições que dão protagonsimo ao estudante. 

penso em escola que pudesse mais acolher que separar.

há muitas que promovem ações bem legais como feira de ciência, de arte, show de talentos, teatro, palestras com especialistas, debates entre estudantes de séries diferentes, sarau, gincana etc.

contudo, 99% dessas ações quando acontecem, estão fora da sala de aula. fora do horário das aulas... às vezes, à noite ou num sábado, trazendo ao evento um caráter de espetáculo com hora para começar e terminar. e a vida segue em seu enfadonho cotidiano com as regras de acentuação, as leis de newton ou os antecedentes da primeira guerra mundial. 

de novo: nada contra esses assuntos que dão conteúdo às aulas, só acredito que eles não devem ser a única razão de existir de uma escola. 

o que poderia acontecer, então, para oxigenar boa parte da rotina escolar, hoje?

0. enquanto professor(a), converse com direção e coordenação sobre postura em sala: necessidade de aula dinâmica, interagindo com estudantes, evitando censurar -- de início -- qualquer conversa paralela e evitando posturas negativas quanto a uso de celular, por exemplo. a ideia é mostrar que você sabe o que irá fazer.

1. sugerir, no planejamento, atividades interdisciplinares: estudos do meio pelo bairro (geografia, ciências, história etc), gincana, sarau, feira de ciência, de livro, de arte, café filosófico, campanhas solidárias, prática esportiva e por aí vai -- tudo acontecendo no horário das aulas pelo simples fato de serem atividades educativas

2. professores engajados nos projetos de todos -- podendo, inclusive, considerar como sua uma atividade avaliativa feita com outos professores, compondo, por exemplo, uma nota de "atividade" -- se bem que nem precisaria valer nota, mas na rede privada geralmente é dando que se recebe

3. após atividades, combinar espaço para que haja discussão do que foi feito, necessariamente com alunos, óbvio

4. exemplo básico: história de sua cidade. estudantes são levados a pesquisar xis nomes de ruas e avenidas principais. o que significam? por que estes nomes? conhecem história da formação da cidade? quando foi? quem participou? 

4a. os alunos, alunas, podem fazer vídeo ou postagem na rede social da escola -- ou qualquer outro meio de comunicação -- revelando o que descobriram, envolvendo comunidade etc

5. outro exemplo básico: música. estudantes são levados a formar um coral ou uma banda e criar uma canção sobre a cidade citando seus pontos históricos ou turísticos. de novo, divulgam nas redes de comunicação disponíveis.

6. mais um exemplo: importância das árvores, na cidade. que tipo é mais comum de se encontrar? quem decide qual plantar? quem habita esses galhos, folhas e frutos?

6a. vale fazer poesia, vale mostrar aos estudantes a importância da árvore, o que é mata atlântica, pantanal, amazônia, cerrado... dá-lhe pesquisa em grupo, criação de publicação em meios digitais, interação com alunos de séries diferentes, palestra de estudantes do ensino médio para alunos do fundamental, tudo sempre dinâmico e tornando estudantes mais independentes

7. interagir, em sala, com o grupo, o tempo todo. conversar, chamar, acostumar com os nomes das pessoas. no meio disso, a aula. alunos se acostumam, então, à importância deles no processo. sobra quase nenhum tempo pra dispersão, sono, usar aparelho telefone etc. aula boa não precisa ser censora de nada.

7a. para muitos professores, o que funciona é o silêncio total,  só a voz do mestre ecoando, como se o processo de educar fosse mesmo o tal jesuítico do brasil colônia. silêncio e subserviência. bobagem. nunca deu certo. até em "memórias de um sgto de milícias" (almeida, séc 19) isso já era satirizado. leia "conto de escola", machado, no mesmo século 19, expondo o horror da sala de aula da época... veja que praticamente só mudou a ferramenta de espancar aluno.

7b. olhar no olho, gastar menos tempo com lousa (professor fica de costas para a sala muito tempo, não é bom). se o estudante se acostuma com a interação todos os dias, ele consegue sim, num determinao momento do ano, suportar uma aula expositiva um pouco mais longa, quando necessário

7c. há professores inseguros que se escondem atrás de algum autoritarismo para suportar os minutos, dentro da sala. pior: coordenações e direção aprovam e potencializam essas posturas duras, proibindo celular, proibindo conversar com colegas, delimitando espaço de circulação e interagindo com alunos apenas no momento de cobrar peça do uniforme faltando. um horror. 

7d. cabe às coordenações incentivar postura dinâmica de seus professores. e, hoje, século 21, parar com essa de prender celular de aluno, obrigá-lo a deixar o aparelho na lousa ou simplesmente tomar o objeto dele, devolvendo na saída. é violência isso. o que deve mudar é a aula. o celular é o relógio do aluno. o celular é a calculadora, o meio de comunicação. e, por fim, o aparelho é dele, não da escola. melhore a aula e terá estudantes mais participativos. de repente, até aprendendo.

7d. a condição para uma aprendizado razoável é a interação constante. nada de sermão sobre comportamento ou ameçar classe com um futuro de desgraças se eles continuarem dispersos. interaja com seu público. cria cumplicidade, facilita a vida de todos. há exceções, claro: estudantes depressivos, com determinada síndrome, traumas etc. entendo. dilemas que precisam ajuda mais técnica do departamento pedagógico, psicológico. isso é a exceção. a regra: melhore sua aula. não sabe? pergunte. fale com assessoria pedagógica, fale com a coordenação, divida angústia com colegas, procure um plano de trabalho. agora, se essa gente (coordenação / direção) é conservadora e autoritária, volte ao item zero desta lista. ou chore.

7. escolher leituras -- ficção ou não -- para que sejam discutidas em aula. preferencialmente por mais de um professor. vale obra de caráter científico, poesia, romance, história... importante é o estudante perceber que mais de uma matéria está engajada na cobrança da leiutra e não só  professor(a) de português

8a. faço sugestão sim: no link abaixo há um e-book com lista de livros, tarefas e para qual série é recomendado --  não perca!

literatura para salvar o mundo  - clica

entendeu agora por que há quem deteste paulo freire?...



quarta-feira, 28 de outubro de 2020

saga das aulas online castiga professor normal


continuo na saga das aulas online.

estudantes, 99% deles, com câmeras fechadas, microfones idem.

existem aqueles ainda que se conectam, aparecem na sala, mas não ficam, saem, vão fazer outra coisa, deixam a conexão ativa. daí sou obrigado a retirar a pessoa da reunião para poder desligar, quando acaba aula.

estudantes estão estressados, eu sei. alguns não querem mostrar o local em que estão, eu também entendo... mas todos?? enfim, lamento, mas eu também tenho muito pra carregar. sem contar que o custo dos aparelhos e conta de luz são meus também, nesse tal de rôme-ófis.

existem aqueles que absolutamente nada fazem: nem "oi-bom-dia", nem respondem aos chamados no meio da aula, nem tarefas, avaliações, nada. é distopia. melhor: burrice mesmo.

mas sei que a responsabilidade dessa história não é só dos estudantes, enfim.

assim como sei que, em 2020, não se deve nem sonhar com a volta ao esquema presencial, ponto.

eu vim só desabafar mesmo. tá um saco isso de aula sem contato algum e sei que a maioria poderia interagir etc etc... dá raiva, às vezes. muita. babá eletrônica. me sinto bem assim. não nasci pra isso.

você escolheu essa profissão, dirão alguns.

vão t#*&*  no  #*, direi eu. 

sábado, 8 de agosto de 2020

quincas borba - machado - em sala de aula



pensando em quem procura instigar leitura para seus alunos(as) / alunxs fiz uma chuva de ideias... não é bem chuva, pode ser garoa, mas está valendo.

quincas borba - machado de assis, século 19.
realismo

pontos da tal chuva de ideias sobre o que tratar a partir de "quincas borba"

1. o que é realismo / mostrar tela courbet "quebradores de pedras" e afins, na época

2. rubião quis aproximar sua irmã do milionário quincas borba / barbacena

3. morrem borba e piedade, a irmã de rubião

4. observando a baía de botafogo, já no rio de janeiro, rubião reflete sobre o lado bom dessa morte e a não realização do casamento

5. ali mesmo, na sala, conversa com funcionário sobre o cachorro... há referência a estrangeiros / debater eugenia / imigração

6. durante o processo de inventário de borba, alguém sugere que o estado mental da pessoa não permitiria lavrar documento de herança etc.

6.a. observação não vinga

6.b. processo terminado, rubião milionário

6.c. festa com palha e gente do fórum!... que malandragem!

10. sofia e rubião se aproximam: senha para que ela e o marido explorem financeiramente o sonhador e ingênuo rubião

O QUE PODE SER FEITO  -   -  -

discutir :


- interesse / ambição / cobiça
- leviandade do casal sofia-palha
- o que o capitalismo oferece enquanto chance de enriquecimento
- imigração / eugenia 
- humanitismo: ironia do narrador quanto às teorias científicas vigentes, como determinismo, darwinismo e outras.








quinta-feira, 6 de agosto de 2020

hora de repensar relação ensino-aprendizagem, na quarentena


agosto 2020

a rotina segue muito próxima do que acontecia em abril, maio... julho...


em casa, prepara-se a aula xis, tento acolher a maioria dos alunos de ensino médio ante o tédio... é bem difícil. 

falar, na tela do computador, sem ver as pessoas, muitas vezes até sem o áudio, é desanimador, acreditem. parte disso entendo. outra parte não.
entendo o tédio e o cansaço porque muitas escolas procuraram manter o ritmo de aulas comuns como se nada estivesse acontecendo. 
aula, exercícios, formulários, tarefas, vídeos, leitura, mais tarefas... não é só isso. há pessoas atrás das câmeras... muitos adolescentes, adultos jovens, gente que precisa desabafar, compartilhar algo... mas o espaço é escasso. o adulto educador, do outro lado da câmera, se vê também pressionado a fazer chamada de presença, registrar conteúdos previstos em planejamento, seguir o que seu mestre mandou... e, daí, sobra o cada-um-por-si que a gente conhece bem. professores(as) -- muitos -- estão tensos e cansados mentalmente, isso é fato. e o segundo semestre mal começou.
é mais humanidade que peço. 
dependendo da instituição escolar, é possível juntar mais de dois professores na sala virtual, misturar algumas séries, algumas salas por vez, falar de gente, falar da rotina, mostrar o gato, a janela, o vaso de flor, um brinquedo antigo, qualquer coisa.
mais humanidade ajuda, semeia, engrandece a gente.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

aulas presenciais não devem voltar em 2020



final de julho, 2020

mortes aumentam, no país, via covid-19.
há mais relaxamento da quarentena.
governantes de toda ordem -- em sua maioria -- não adotaram lockdown. exceções há, como em algumas cidades do ceará e rio grande do sul, dentre outras poucas.

aqui, no sudeste, há movimentação para retorno às aulas em setembro. palavras do governo do estado de são paulo, por exemplo.
dá-se o nome de retorno gradual, assim como o termo rodízio é usado. um número também aparece: 35. trinta e cinco por cento de estudantes, nas salas. posteriormente, na etapa dois, setenta por cento. até cem.

podem usar nomes, números, eufemismos. mas o que se tem é aglomeração sem testes. aglomeração, em tempos de covid, também é conhecida como chance de infecção. morte.

em nome de que essa sanha pelo retorno? há vacina? haverá lockdown no estado todo? testes serão feitos? então, por que voltar?

tudo isso me lembra a moeda de vespasiano.
mas não vou me desgastar explicando isso agora não.

domingo, 10 de maio de 2020

estudando literatura sozinho? dicas para ensino médio


                                         [ prof carneiro em seu canal letradeletra]

quatro aulas importantes para seus estudos de literatura

clique para assistir


funções da linguagem -


figuras de linguagem -

o que é romance -

                     

o que é soneto - 

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

aula expositiva o tempo todo é desperdício




é comum, na área do ensino, aqui pelo meu mundo, o desconforto da clientela com determinado professor, professora. muitas das vezes a culpa é do próprio aluno, porque quem tem a última palavra é sempre o adulto da relação, pelo menos como pede  a carteira de identidade.
quando alunos se dispersam ou vão mal nas avaliações (que muita gente insiste em chamar de prova) é comum cravar que a culpa é do aluno.
olhem, se a maioria, na sala, usa de artifícios para fugir da aula, mesmo de corpo presente, há algo errado sim com a aula e os métodos de quem a ministra. se a maioria vai mal numa avaliação, é preciso considerar umas tantas variáveis para se achar a causa, como: não se reforçou a data do evento; as questões tratadas na avaliação foram retiradas de manuais de vestibular (nada de própria autoria); professor(a) não explicou como estudar o conteúdo; professor(a) nunca fez ou propôs tarefas condizentes com os objetivos das aulas ou a emília, do sítio, embaralhou as perguntas e todo mundo ficou confuso.

insisto: melhorar a relação professor-aluno implica diretamente em rendimentos melhores, não só na sala de aula como nas avaliações -- caso elas se mostrem coerentes, diga-se.
não falo de relações subjetivas, pessoais, como ir ao churrasco da galera, jogar vôlei no intervalo ou dar carona aos alunos em dia de chuva. é a relação dentro da sala, em linguagem de dia-de-semana, perguntando, chamando atenção, mantendo a plateia unida a seu conteúdo.
é difícil? talvez, quando a maioria dos professores, professoras, ignora os alunos e dá aula independente da postura deles... muitos usam da avaliação seguinte como arma para ameaçar seu público, afirmando que o assunto é conteúdo de avaliação, como se isso mudasse a situação dos imigrantes sírios ou a gravidade em saturno.
se o professor, professora não sabe como lidar com essa relação, é preciso dividir com colegas, fazer reunião de professores e não com professores.  pedir ajuda à coordenação, cobrar mais proximidade com departamento pedagógico, mas não vale desistir do aluno. por favor.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

interação constante permite aula mais produtiva


quando o assunto é sala de aula, no brasil, sabe-se que há muita gente que se arrepia. incluindo professores. não vou posar de olimpo e ditar regras de sucesso nesse campo. mas, por estar nele desde 1986, dá pra sugerir algumas coisas

1. disciplina
pedir ajuda ao centro pedagógico ou orientação quando perceber dispersão ou desmotivação; dividir a inquietação com colegas e, necessariamente, mudar a estratégia de aula
sugestão: o foco deve ser o aluno, mais do que aquilo que se está tratando; aula-palestra não produz, necessariamente, aprendizado; questione seus alunos a cada momento da aula, pergunte o que acham, se estão entendendo, se estão com material sobre as mesas etc etc...

um dos motivos da desmotivação e dispersão é a aula ruim, isso é fato. não exite aula interessante por si só. é preciso conquistar isso, ao invés de demonizar a família, o fato da aula acontecer no fim da tarde ou a culpa é das estrelas. professor precisa sim encarar seus alunos e colocá-los como agentes, em qualquer que seja o tema da aula, pode ser números complexos, império romano, semana de arte moderna ou reprodução dos anfíbios. o professor precisa manter essa ligação com os alunos o tempo todo. pedir que escrevam algo também ajuda. pode ser a partir de um exercício do material didático ou simplesmente o professor(a) pede uma síntese do que foi vivido, na aula.

IMPORTANTE : muitos professores reclamam que os jovens não são mais os mesmos, que as famílias não são mais as mesmas e ainda sentem, estes professores, saudades de um aluno que nunca tiveram: sério, dedicado, submisso e, nem sempre, emitindo uma pergunta. uma catástrofe. muita gente sabe que o par ensino / aprendizagem é mesmo para funcionar numa via de mão dupla. daí a questão: como o professor age para que alguma relação exista, em sala? berra por silêncio? ameaça? continua falando apenas para os interessados (reforçando a seleção de quem ganhará nota e quem ficará no breu do desconhecimento)? usa de seu poder e autoridade e expulsa alunos de sala?
insisto: interagir, questionar, aguçar curiosidade. o tempo todo.











2. avaliação
perrenoud  (2000): “certas aprendizagens só ocorrem graças a interações sociais, seja porque se visa ao desenvolvimento de competências de comunicação ou coordenação, seja porque a interação é indispensável para provocar aprendizagens que passem por conflitos cognitivos ou formas de cooperação”

esta lista de ações é também do sociólogo perrenoud:

a. organizar e dirigir situações de aprendizagem; 
b. administrar a progressão das aprendizagens; 
c. conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação; 
d. envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho; 
e. trabalhar em equipe; 
f. participar da administração da escola; 
g. informar e envolver os pais; 
h. utilizar novas tecnologias; 
i. enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão; 
j. administrar sua própria formação contínua.

uma boa avaliação não deve se comportar como um exame que, no mínimo, elimina, ceifa os feitos do estudante até aquele ponto... de novo: avaliação mede. exame excluí, como naquele de motorista ou concurso vestibular.
pedir a refacção de avaliações é importante, porque aí a prova começa, de fato: na devolutiva. corrigir a avaliação, comentar etc.

olhem, numa avaliação dissertativa, é impossível ser coerente quando se tem cinco perguntas com o mesmo peso para cada questão. para se atingir nota 10, digamos, o professor(a) elege, para cada questão, dois pontos. como assim?
se tenho perguntas sobre o livro "iracema", por exemplo, veja que não se deve considerar de igual peso (dificuldade/profundidade) essas duas abaixo:

Icomo foi a relação entre martim e iracema, ao longo da narrativa? dê exemplo.
II. caracterize o tipo de narrador e sua linguagem.

claro está que a questão I requer mais conteúdo para se alcançar resposta ótima quando comparada á questão 2. é de se esperar, portanto, que as questões não tenham validade igual.

o mesmo para uma questão sobre reconhecer tal figura de linguagem numa tirinha e, na mesma avaliação, uma questão sobre diferenças entre linguagens dos personagens (variação linguística) da tira.
é muito cômodo fazer dez questões, numa avaliação e delimitar um ponto para cada uma. cômodo e trágico. se o professor não sabe resolver essa equação ligada ao peso das notas, deve pedir ajuda aos pares, à coordenação... e, claro, cabe ás instâncias superiores supervisionar essas posturas durante o processo avaliativo. isso vale para português, biologia, línguas, tudo, qualquer tema. tudo.

deixo alguns vídeos relacionados à educação e leitura. de repente, ajudam!


















sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

leandro karnal: todos contra todos






livro de leandro karnal, filósofo, historiador, escritor, expõe, de modo quase didático, as idiossincrasias de nossas relações sociais, neste século 21, em especial, no quesito rede sociais.
temas como racismo, ódio, política nacional, preconceito quanto ao gênero, aparecem em seus textos.

saber mais?
assista-me!


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

o mundo de sofia - debates para sala de aula




"o mundo de sofia", gaarder, é um romance da década de 1990. ele pretende, através da história de uma menina de 14 anos, fazer um turismo por mais ou menos dois mil e quinhentos anos de pensamento filosófico, no ocidente. vendeu muito. virou best seller rápido. 
o livro não se pretende filosófico, mas sobre a filosofia. mostra, de modo quase didático, como era o pensamento de aristóteles, darwin, descartes, kant ou marx. 
o pecado mais marcante é ausência de nietzsche. mas sobre isso você fica sabendo nos assistindo.
isso: eu e henrique subi.

clica!


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

educação física ou competição esportiva?






muito comum, nas mentes de quem não é educador, ver brotar a teoria de que na escola deveriam surgir atletas. e de alto nível! recentemente, a olimpíada expôs, mais uma vez, a penúria em que vive nosso esporte. ele gera emprego, é ação social, faz parte da demanda civil de uma sociedade. deve ser sim mantido, gerido pelo estado. não se trata de pensamento "comunista" como muitas cabeças estúpidas (e o que não falta é estupidez, hoje) pensarão. basta ir a outros países. mesmo quando a iniciativa privada se intromete, o estado é tutor. há regras, compromissos, impostos.
enfim. está na moda a afirmação de que a escola deveria produzir atletas. vai vendo. primeiro: escola não é clube. segundo: escola instrui. acolhe. a competição não deve nortear o processo educativo. terceiro: educação física é só esporte?

para saber mais, veja-me!


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

minha gente - resumo conto sagarana




narrado em primeira pessoa, o personagem-narrador se vê envolvido em história de amor, política e até assassinato.

o livro "sagarana" contém nove (9) narrativas. são contos que, segundo a crítica, compõem a terceira fase do modernismo brasileiro.

saber mais ?

assista-me!



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dicas para aulas de literatura : clique !

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

aula - hoje ela só quer paz - e casemiro de abreu


                                                                             [ banksy ]

hoje ela só quer paz

ela é um filme de ação com vários finais
ela é política aplicada e conversas banais
se ela tiver muito afim seja perspicaz
ela nunca vai deixar claro
então entenda sinais
é o paraíso, suas curvas são cartões postais
não tem juízo, ou se já teve, hoje não tem mais
ela é o barco mais bolado que aportou no seu cais
as outras falam, falam, ela chega e faz
ela não cansa, não cansa, não cansa jamais
ela dança, dança, dança demais
ela já acreditou no amor, mas não sabe mais
ela é um disco do nirvana de 20 anos atrás
não quer cinco minutos no seu banco de trás
só quer um jeans rasgado e uns quarenta reais
ela é uma letra do caetano com flow do racionais
hoje pode até chover porque 
ela só quer paz
hoje ela só quer paz
noticias boas pra se ler nos jornais
amores reais, amizades leais
ela entende de flores, ama os animais
coisas simples pra ela, são as coisas principais
sem cantada, ela prefere os originais
conheceu caras legais, mas nunca sensacionais
ela não é a suas negas rapaz
pagar bebida é fácil, difícil apresentar pros pais
(...)
essa mina é uma daquelas fenomenais
vitamina, é proteína e sais minerais
ela é a vida, após a vida despedida
pros seus dias mais normais 

(...)
                                [ projota, 2016 ]

* "flow" se liga a ritmo; envolvimento; verso bem encaixado

hip hop de projota, lançado em 2016, dialoga tanto com a imagem do grafite (banksy, inglaterra), como com esse poema do casemiro de abreu, "amor e medo":

       Quando eu te fujo e me desvio, cauto        
        Da luz de fogo que te cerca, oh! bela,
        Contigo dizes, suspirando amores:
        “Meu Deus! que gelo, que frieza aquela
        Como te enganas! meu amor é chama
        Que alimenta no voraz segredo,
        E se te fujo é que te adoro louco...
        És bela -  eu moço; tens amor - eu medo!...
         Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
       Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes,
        Das folhas secas, do chorar das fontes,
        Das horas longas a correr velozes.
        ......................................................................

        Ai! se eu te visse, Madalena pura,
        Sobre o veludo reclinada a meio,
       Olhos cerrados na volúpia doce,
        Os braços frouxos - palpitante o seio!...
         Ai! se eu te visse em languidez sublime,
        Na face as rosas virginais do pejo.
        Trêmula a fala a protestar baixinho...
       Vermelha a boca, soluçando um beijo!...
         Diz: - que seria da pureza d’anjo,
        Das vestes alvas, do cantor das asas?
        -  Tu te queimaras, a pisar descalça,
        -  Criança louca, - sobre o chão de brasas!
         (...)
                                 [ casemiro de abreu, século 19 ]

quando o eu lírico diz, na letra do hip hop, "não é pra tuas negas não", claramente, foge do politicamente correto e, por tabela, de uma norma padrão. o verso diz mais ou menos que a garota em questão não se compara a outras que se envolveram com o eu lírico. a ideia, contudo, não é simplesmente jogar fora a letra toda por conta de um suposto deslize linguístico, mas valorizar também um jeito diferente de dizer algo que é marca da poesia de língua portuguesa: o lirismo de tom confessional. desde o trovadorismo é assim. tradição forte. eu ia escrever "dor de cotovelo", desisti. mostre a seus alunos que o texto de casemiro é de estilo romântico, usa da norma padrão mas atesta que há uma certa temerosidade na figura idealizada. "tenho medo de mim, de ti...". veja em projota, no hip hop: "ela é o barco mais bolado que já aportou no seu cais". há outros versos que também se equiparam aos de casemiro, mas a ideia, enfim, é lidar com a relação amorosa em que um é mais austero que outro. peça a seus alunos que reconheçam as semelhanças entre os dois textos. cá pra nós, projota é mais legal.

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