quarta-feira, 20 de julho de 2022

silêncio de um cipreste - cartola - comentário

 


   SILÊNCIO DE UM CIPRESTE
         Cartola [ 1908 - 80 ]

 Todo mundo tem o direito
 De viver cantando
 O meu único defeito
 É viver pensando
 Em que não realizei
 E é difícil realizar
 Se eu pudesse dar um jeito
 Mudaria o meu pensar
 O pensamento é uma folha desprendida
 Do galho de nossas vidas
 Que o vento leva e conduz
 É uma luz vacilante e cega
 É o silêncio do cipreste
 Escoltado pela cruz

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canção expõe nota de arrependimento e busca de acolhimento. a tal da empatia, como se diz nesse nosso século.
o eu lírico mostra que seu defeito é pensar no que não fez... parece mesmo que existe culpa, nessa letra de cartola. então, a solução para o defeito seria mudar o pensamento – ao invés de tentar fazer alguma coisa. o pensamento, segundo o texto, é folha do cipreste que o vento leva, não tem peso. uma ação, pelo contrário, fica, tem peso, pode ser julgada. uma outra leitura seria a chance deixar de crer que seja ele -- o pensar -- um defeito. 

cartola: agenor de oliveira, nascido no rio de janeiro, 1908. falecido na mesma cidade, 1980. torcedor do fluminense. um dos fundadores da escola de samba estação primeira de mangueira, cujas cores foram inspiradas no clube de seu coração. o apelido "cartola", veio dos tempos em que trabalhou como pedreiro e, para proteger-se, usava chapéu. 

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