sexta-feira, 27 de maio de 2022

newton e sua maçã - lista de eventos do livro


                                          [ newton montando a capa do disco do pink floyd ]

"newton e sua maçã", livro de poskitt, ed cia das letras, é divertido e espalha as ideias do cientista inglês com alguma facilidade.
anote aí esses destaques:

* questões familiares, na primeira infância, deixam isaac newton um tanto amuado, recolhido

* morou, na juventude, na casa do boticário clark

* aos dez anos, newton vê sua mãe retornar à casa

* governo de cromwell -- muito conservador, puritano

* aos doze anos foi para escola de gramática do rei eduardo 6

TEMAS PARA ESTUDO

- como foi a relação dos estudos matemáticos de newton e a religião?

- pela leitura, pode-se perceber que isaac não alcançou explicações sobre gravitação, cores, tangentes e afins absolutamente sozinho... logo, o que basicamente é necessário para que surja um cientista, hoje?

- por que a figura de cientistas como newton, einstein, stephen hawking ou galileu são mostradas como excêntricas, inalcançáveis ou mesmo antissociais? 


sexta-feira, 20 de maio de 2022

cartola pra cabeça e livro: a busca de salvação

 


quando estava perto de terminar "
abolição via vargas" (romance), achei um texto para epígrafe:

  "ouça-me bem, amor /  preste atenção, o mundo é um moinho"

é cartola, poeta e músico do século 20.
o livro saiu em dezembro de 2021 -- saiba mais no vídeo abaixo.
de lá pra cá, muita coisa se deu: tento deixar a depressão no controle, às vezes dá certo, mas na maioria das horas em que estou acordado não. também existe o medo ainda desse coronavírus 19. por outro lado, houve matéria na tv-campinas (eptv) sobre o romance -- foi um reconhecimento e tanto...
enfim, a aposentadoria tão esperada veio, mas ainda sinto que remo com a colher, sobre uma prancha, em plena areia da praia, tentando evitar a próxima ressaca do oceano. quase tudo dói. dentes, pés, cabeça, o peito, o ciático... não tudo de uma vez, mas aos poucos, feito garoa intermitente. 
mais antigamente, eu acreditava piamente nas pessoas. hoje, sinto que são universos paralelos e que estou mesmo por minha conta. dói. cansa. já escrevi, aqui, que ninguém vai viver nossa dor. é cruel constatar -- na pele -- isso. acabo seguindo a vida por inércia. porque é o que sempre fiz: respirar, comer e achar que literatura vai me sustentar.  tem dado certo, porque estou perto dos 37 anos de carreira, em escolas, num trajeto ininterrupto. e isso ainda não me cansou, juro. 





sábado, 14 de maio de 2022

abolição via vargas desvenda trama com santos dumont e florence

 

                                   

romance que publiquei em dezembro de 2021.
"abolição via vargas" tem como cenário a rua direita, em campinas.
narrador que vive em lugar inusitado vai tomando contato com eventos da história da cidade que envolvem maria luiza xavier de andrade, santos dumont, miguel do carmo, carlos gomes e o maestro carlos gomes.

  clique e compre agora!

saiba mais sobre o livro :



terça-feira, 10 de maio de 2022

beethoven do barulho

 

                                                                             [ beethoven 1770-1827 ]

meus alunos das segundas séries, ensino médio, têm tarefa auditiva, neste bimeste: ouvir  beethoven e arriscar conhecer apelo "romântico" na sinfonia mais famosa do alemão. 
apresentada pela primeira vez, em 1824, austria, a sinfonia n.9, de ludwig van beethoven, corre o planeta pois marca um apelo à harmonia do gosto popular, para época, e vai durando até agora. muita gente se refere à obra simplesmente como a “nona”. som retumbante, passagens em modo “piano” e “alegro ma non troppo” dão ao ouvinte a sensação de aventura e algum dinamismo.a  passagem mais conhecida está no quarto movimento. a sinfonia também é conhecida como “coral”.  apesar do quarto movimento ser o mais famoso, o segundo dá o caráter tenso da obra, com velocidade, cordas, sopro e percussão.prevalece um certo tumulto de tom aventureiro e heróico, durante a obra, uma necessidade de mostrar a grandiosidade do ser humano, vivendo em sociedade e buscando a elevação divina. sobra o sonho de um mundo com as pessoas unidas. hoje isso é clichê. na época, era romantismo.na parte final, o tom agudo do coro marca a necessidade de ascensão, homens, amigos, unidos junto ao criador.imerso na surdez, a obra é a última do compositor que ficou praticamente todo o ano de 1823 ocupado em sua construção. uma espécie de síntese de obras clássicas passadas, a “nona” remete o ouvinte também a um futuro talvez grandioso, como se percebe pela união do poema de schiller aos acordes de beethoven.


sexta-feira, 6 de maio de 2022

ismália e a loucura de nós todos

 


tem sido extremamente difícil lidar com a realidade de indígenas mortos, estuprados, lidar com assassinato da comunidade preta, as violências contra mulher, contra grupos lgbtq, lidar com arrogância de muitos políticos que condenam constituição, atacam a democracia e, principalmente, a falta de orientação política de nossa classe social. é difícil ser bombardeado diariamente por esses temas e entrar em sala de aula para tratar do lirismo em alphonsus de guimaraens. juro, muito difícil. é uma loucura isso. mas, nesta semana, fui salvo por emicida, fernanda montenegro e ele, sim, o alphonsus de guimaraens, mineiro, nascido no século 19. mostrei, na segunda série do ensino médio, "ismália", do poeta simbolista. em seguida, "ismália", de emicida, música do seu álbum "amarelo". foi um alívio. a figura enlouquecida, no poema, transforma-se numa alegoria das violências sofridas pela comunidade preta, pelo brasil desses tempos de fake news e racismo estrutural. 

"Olhei no espelho, Ícaro me encarou
 Cuidado, não voa tão perto do Sol
 Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei
 O abutre quer te ver de algema pra dizer: Ó, num falei?!
 No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
 Ismália, Ismália
 Ismália, Ismália 
 Quis tocar o céu, mas terminou no chão
 Ismália, Ismália"
 
se você que me lê é educador, educadora, conheça a letra de emicida, renan e nave. álbum: "amarelo". confere.

falei um pouco sobre o documentário "amarElo", clica:



terça-feira, 3 de maio de 2022

escola precisa olhar mais para a rua

 

                                               [ carlos ruas ]

numa certa altura do  sermão da sexagésima, pe. vieira ilumina :

"se o lavrador semeara primeiro trigo, e sobre o trigo semeara centeio, e sobre o centeio semeara milho grosso e miúdo, e sobre o milho semeara cevada, que havia de nascer? uma mata brava, uma confusão verde".
é século 17, só pra constar.

em toda escola que se quer consistente, há conselhos, reuniões, balanço geral pedagógico sobre o que cada área fez, quais resultados esperados, como foram os pesos das provas e se alguma área arriscou métodos diferentes de avaliação, além do famoso lápis com papel.
todos temos o que dizer a respeito de rendimento e objetivos a se alcançar, quando saímos de uma sala de aula... há de haver reuniões, há de haver balanço. e autoavaliação.
claro está que a escola precisa também olhar para a rua e fomentar, em sala de aula, questões a respeito do óbvio: racismo, moradia, orientação sexual, violência contra mulher, necessidades da comunidade em que ela -- a escola -- se insere, arte para salvar o mundo, soluções para a fome, i portância da leitura, ciência para melhorar o presente etc.
o aluno também deve se perguntar: eu aprendi? consegui produzir algo além daquilo a que fui levado a fazer, em dias de avaliação? participei das aulas? 
quando se busca excelência em uma instituição educativa, necessário é a transparência do projeto da escola, quer seja ele apenas trampolim para vestibular, quer seja o da formação intelectual desde a alfabetização.
quando há muito discurso diferente sobre educar, dentro da instituição, só nasce mata brava. confusão. 



quinta-feira, 28 de abril de 2022

descreve a ilha de itaparica com sua aprazível feritilidade - gregório de matos

 


DESCREVE A ILHA DE ITAPARICA COM SUA APRAZÍVEL FERTILIDADE, LOUVA DE CAMINHO O CAPITÃO LUÍS CARNEIRO,HOMEM HONRADO E LIBERAL, EM CUJA CASA SE HOSPEDOU

Ilha de Itaparica, alvas areias, Alegres praias, frescas, deleitosas, Ricos polvos, lagostas deliciosas, Farta de Putas, rica de baleias. As Putas, tais ou quais, não são más preias, Pícaras, ledas, brandas, carinhosas, Para o jantar as carnes saborosas, O pescado excelente para as ceias. O melão de ouro, a fresca melancia, Que vem no tempo, em que aos mortais abrasa O sol inquisidor de tanto oiteiro. A costa, que o imita na ardentia, E sobretudo a rica e nobre casa Do nosso Capitão Luís Carneiro.

Gregório de Matos - séc 17 - Poemas escolhidos, Cultrix

notas --  "pícaras" - ardilosas, astutas 
                  "preias"  -  presas
                  "ardentia" - calor intenso
                  "oiteiro" - pequeno morro com vegetação

. . . . . . . . . . . . . . . . .

poeta lista as características aprazíveis da praia de itaparica e, nela estão elementos de culinária, assim como pessoas. tratamento dado às mulheres é o pior possível. no século 17 era aceitável. na descrição dos prazeres, o termo "carnes", na segunda estrofe, ganha conotação dúbia: pode ser o pescado, pode ser gente. nessa linha, "melão" e "melancia" tornam-se metáforas de de partes do corpo das mulhres. tudo isso torna a úlitma estrofe bem sarcástica, uma vez que o dono dessa farra toda é o "nobre" e "nosso" capitão luís.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

depressão é um tipo de fracasso

 

 [ moon & ba ]

diagnosticado desde 2013 com essa tal circunstância, que atinge principalmente quem está vivo, a depressão fez estrago, por aqui.
remédios existem, mas são paliativos, geralmente. 
terapia, acupuntura, abraço na árvore, óleos essenciais, poesia de manoel de barros, café descafeinado, massagem, poemas de fernando pessoa, gol da ponte preta, estar com quem se ama, emagrecer pra entrar nas roupas, meu tempero para carnes, muita coisa fiz. muita coisa legal, mesmo. mas a solidão... a sensação de solidão ainda é o polvo de mil tentáculos. mil ou cem mil. pra quem tem depressão, qualquer avanço, qualquer momento sem ansiedade é uma nova galáxia. qualquer momento em que algo faça sentido é a saída do inferno. pra quem não tem depressão, os avanços do outro são sempre uma tentativa, um passo, um "continue assim" ou "não esqueça os remédios!"
a terapia tem sido a parte boa, confesso. culpada até -- em boa parte -- pelo nascimento de "abolição via vargas" (veja o vídeo no final), as sessões me dão condição de ver as desgraças da gente organizadas. permitem que se manuseie a merda feita, as agruras do passado, dá até pra dar nome aos crimes. algo como aquelas luvas de usar na cozinha, pra pegar assadeira. a gente consegue, nas sessões, a longo prazo, mexer em tudo quase sem perigo.  
oscilações de humor geralmente irritam quem está perto. eu sei. mas um dia chego. um dia. ou noite.

. . . . . .  .  .  .  .  .  .  .  .   .   .

um dos remédios legais contra depressão, foi esse evento, em março de 2022, com aval do parceiro ricardo aranha, da eptv





sábado, 16 de abril de 2022

emília é a mais famosa das mulheres daqui

 

arrisco dizer que emília (boneca de pano de saco) era mais famosa que iracema, bem mais famosa que capitu ou qualquer outra, desde carmen miranda, rita lee, gisele, elza ou anitta...
na literatura brasileira, lindoia ("uraguay") e marília (aquela mesma, de ouro preto) despontam como musas, mulheres feitas para adoração, contemplação... mas a vida melhora com rita baiana (do "cortiço"), depois capitu e a recosturada emília é cereja no bolo da desfaçatez e diversão. uma cria de "frankenstein" -- à moda tupiniquim --, a boneca tem como trunfo a pílula falante. podia ter a calante, mas isso é outra história.
há mais mulheres na minha estante, vejo daqui... luísa (primo basílio) -- que é sem sal, mas deixa a gente curioso; ci ("macunaíma"), helena ("três mulheres..."), paulo emílio); rami ("niketche"); farida ("terra sonâmbula") ou mesmo aquela de "a maçã no escuro" (clarice). onde quero chegar ? não sei. mulher é mistério.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

as árvores - olavo bilac - soneto comentado

 


   AS ÁRVORES

  Na celagem vermelha, que se banha
  Da rutilante imolação do dia,
  As árvores, ao longe, na montanha,
  Retorcem-se espectrais à ventania. 

  Árvores negras, que visão estranha
  Vos aterra? que horror vos arrepia?
  Que pesadelo os troncos vos assanha,
  Descabelando a vossa ramaria? 

  Tendes alma também... Amais o seio
  Da terra; mas sonhais, como sonhamos,
  Bracejais, como nós, no mesmo anseio... 

  Infelizes, no píncaro do monte,
  (Ah! não ter asas!...) estendeis os ramos
  À esperança e ao mistério do horizonte...

    [ Olavo Bilac - Tarde, 1919 ]

    notas
  celagem - aspecto do céu ao fim do dia ou no começo
  espectrais - fantasmagóricas
  bracejais - mexer, agitar galhos

. . . . . . . .  .  .  .  .  .  .  .  .  .   .   .

soneto do livro "tarde", traz descrição de um dia de ventania no crepúsculo. os galhos se mexendo lembrariam pessoas querendo se libertar de uma prisão, sair do chão. 
longe de ser filosófico, o livro de bilac, vez ou outra, mostra lampejos de  reflexão, como aqui: a contradição latente, numa árvore (querer voar), seria similar ao que ocorre com o ser humano, ou seja, vivendo preso à terra, sonha ter asas. tanto humanos como árvores, sabidamente, não voam, mas sofrem, querendo mais aventura e liberdade.
fica a pergunta: para mais liberdade é preciso mesmo asas?
. . . . . . .  .  .  .  .  .  .  .   .   .

saiba mais sobre bilac !



terça-feira, 5 de abril de 2022

charlie brown e a resenha de "guerra e paz"

 


vi "peanuts movie" - snoopy e charlie brown -, de 2015. 
longa metragem de quase 80 minutos.

charlie brown vê a nova garota da sala de aula, por sinal, sua recém-chegada vizinha, e se apaixona. contudo, o garoto morre de vergonha de se aproximar dela. hesita várias vezes. desastrado, não consegue soltar pipa, muito menos é bom aluno. vive desacreditando de si próprio. 
é snoopy quem poderá ajudá-lo -- ou não -- a ser reconhecido por ela.
o drama nem é profundo, coisas do mundo infantil. mas ver uma figurinha que desabafa com seu cão sobre seus fracassos e medos é algo bem comovente.
numa certa altura, diz ele que um cão não julga, simplesmente ama. 
ponto alto da história é a decisão que charlie toma diante da necessidade de se mostrar bom aluno e resolve fazer resenha de "guerra e paz", do tolstoi. é comovente tudo. e hilário.
charlie brown precisa ser reconhecido por si mesmo, daí poder fazer algum movimento de conquista. não precisa ser melhor que ninguém.


quinta-feira, 31 de março de 2022

"red" é mais do que um painel de conflitos na puberdade

 


"turning red"
é o título original desta animação da disney. 
logo, "ficando vermelha" seria tradução mais razoável do que "crescer é uma fera", como se vê na versão em português. uma pena essa má escolha da tradução. o desenho não é sobre puberdade e crescimento, apenas. a personagem "mei" tem 13 anos, vive em toronto, canadá, é menina urbana, mimada pela mãe. de dentro dela, quando há emoções fortes, sai um panda vermelho. isso mesmo: o panda aparece quando ela está à beira do descontrole. a menina se transforma fisicamente no bicho. 
a questão conflitante é: fazer parte de um ritual ancestral -- via familares da garota -- e acabar com o panda que vive nela ou conviver com o animal dentro de si. "meu panda, minhas regras", diz a menina, numa certa altura do filme. não vou contar o que acontece, mas, assim como "luca" -- outra produção dsiney -- muitos de nós temos dificuldade em mostrar à sociedade quem realmente somos, assim como os nossos dilemas. mais do que filme sobre aceitação, "turning red" trata da necessidade de não escondermos nossos medos, nossas fraquezas. nunca.

segunda-feira, 28 de março de 2022

quando a morte etc

 

                                                            [ moon & ba ]

a idade chega e a gente acaba pensando o que é morrer de fato; o que é esse fim, quando vai ser, essas coisas. acho que sempre pensei na morte, mas, ultimamente, com mais regularidade. é da vida pensar na morte, então acostuma-se. deve ser a idade. 

tenho pesadelos que passam por isso, essa coisa de achar que vai morer. tenho pesadelos, desde que me conheço por gente, acordo ofegante. me foi sugerido que talvez sofresse de apneia. é possível. já sofro de tanta coisa, mais uma não faz diferença.
talvez devesse buscar solução específica. eufemismo. isso mesmo, "solução específica" é um eufemismo pra "fim". se não sabe o que é "eufemismo", mexa-se, não vou explicar agora.
aliás, me mexi, nesses últimos anos, buscando alguma harmonia física e mental, mas às vezes acho que serviu foi pra nada. 
deve ser a idade. deve ser a morte mesmo.

quinta-feira, 24 de março de 2022

gil vicente, tragédia grega e o racismo

 


esta semana, conversei com alunos e alunas do curso pré-vestibular sobre gil vicente, dramaturgo português, lá do século 16.
num determinado momento, chegamos a "auto da barca do inferno", peça popular, teatro de rua dos mais famosos em língua portugesa. nessa peça, pessoas que morrem, acabam na frente de duas barcas: uma que vai pro céu, outra para o inferno. comandadas pelo anjo e pelo diabo, respectivamente. um dos personagens que chega é o judeu. ele carrega uma cabra consigo. 
pausa: na grécia antiga, o termo "tragédia" pode ter se originado da expressão "canção do bode". ele seria sacrificado em honra a dioniso -- assim mesmo, sem o "i" -- dioniso. o que isso significa? após a invasão romana sobre região grega, encontramos a captura desse item da tragédia pelo cristianismo. desta forma, de modo bem maniqueísta, temos a figura do mal -- para os cristãos -- centrada no demônio, cuja representação é um bode. até hoje.
voltando a vicente, século 16.
o judeu é caracterizado como figura desprezível, à medida que carrega consigo o tal bode, símbolo do mal para os cristãos. resultado: o anjo não o recebe, sequer responde os apelos do judeu. e o diabo não quer levá-lo em sua barca! no fim das contas, o diabo acaba tendo pena do judeu e o leva ao inferno, numa prancha atada ao barco, porque, no limite, ele nem poderia entrar na embarcação.
daí, na aula, pensamos sobre racismo, sobre intolerância. ficamos ainda pasmados com tanto caso de violência sobre o outro simplesmente porque esse "outro" é diferente da gente na cor da pele, no modo como se conecta a seus deuses, na maneira como se veste ou como se comporta sexualmente. é bem doloroso. 
a escola é sim um lugar de debate sobre esse tema tão caro a história das nossas gentes. mas não só de escola vive o ser humano. é preciso denunciar casos de intolerância; educar nossas crianças e, aí, sim, na sala de aula, debater com estudantes de qualquer idade essa questão das diferenças. dá pra usar a literatura, a arte plástica, o cinema, a ciência, até o próprio pensamento dá pra usar. e denunciar sem medo casos de racismo. não ficar neutro. só detergente é neutro. você não.

domingo, 20 de março de 2022

repórter do século: homenagem da globo a josé hamilton comove até pedra

 


conheci josé hamilton ribeiro entre 1978 e 79. ele estava em forma de papel. era um livro: "pantanal amor baguá" que ele escrevera e eu precisava ler para prova de português, lá na sétima ou oitava série. adorei o livro.
tempos depois, ainda século 20, na espera das corridas de fórmula 1, ligava a rede globo e via boa parte do "globo rural". era ele. numa canoa, numa trilha, de balão, no meio de milharal, atrás de arbusto, em cima de cavalo, simulando caça de onça, explicando procedimentos de plantio e colheita, sempre com um texto sóbrio, expondo várias frentes, dentro do tema bem específico do programa. josé hamilton revelava, em suas reportagens, lado social do tema que tratava, o lado da natureza, as questões econômicas e sempre com algum humor.

hoje, não só a rede globo aberta passou especial sobre a carreira do repórter-escritor, como o canal globonews. se você tem o aplicativo globoplay, acesse. é uma aula de jornalismo o que se vê no panorama de trabalho de josé hamilton, atualmente, morando em uberaba, em sua fazenda. 

idade, agora: 86.
tempo de jornalismo: 66 com carteira assinada. 
foi premiado de todo jeito, no brasil e lá fora.
uma figura especial. repórter do século. de uma vida toda. aplausos.

domingo, 13 de março de 2022

ninguém viverá nossa dor

 


                                                                           [ laerte ]

ninguém viverá nossa dor. 
ninguém.

difícil essa constatação.  mas é real.
achar motivação para continuar combatendo os males não só da idade que avança, mas do contexto social do brasil de hoje é árduo. parece que o fim não vai chegar com alguma tranquilidade.
violência contra natureza, contra muher, o racismo, a homofobia, os negacionistas antivacina... é muita tristeza!
depressão, pré-diabetes, pressão alta, iminência de catarata, ansiedade e fã da ponte preta são alguns motivos para dormir mal quase sempre.
durante um tempo achei que poderia ter algum acolhimento, poderia ter reconhecimento por esse ou aquele avanço em algum setor da vida, mas é ilusão. cada um tem sua via ápia pra seguir. cada um tem seu amazonas por remar. daí sobra qual tempo ou vontade pra acolher o outro?... 
ninguém viverá nossa dor.
saber disso não ajuda meu estado, mas deixa claro o que esperar do dia seguinte.


terça-feira, 8 de março de 2022

8 de março é dia de...

 

hoje foi meu primeiro dia, na sala do curso pré-vestibular. teria sido semana passada, mas foi feriado.

é o início do curso de literatura. revisão de tudo, foco nos vestibulares do fim do ano. nada de novo aí.
mas calhou de ser no dia 8 de março a aula. então, abri minha caixa de ferramentas, peguei uma das mais pesadas -- o aborto -- e fui com ela pra sala. mostrei poemas de camões, drummond, até bilac. tirinha do calvin também foi. caminho parecia seguro mesmo.

quando mostrei a letra da iza, "dona de mim", já senti que seria um dia bom. a letra é de resistência, é de protesto e bem combina com esse momento em que a violência contra mulheres continua. foi ótimo ler os versos da cantora e compositora. "eu que fiquei quieta, agora vou falar" (iza).

em seguida, coloquei uns títulos na tela que envolvem a questão da violência contra mulher: primeiro: "semana de arte moderna 1922" -- que remete à exposição de anita malfatti, cinco anos antes e a crítica feroz do lobato. crítica que não seria a mesma se fosse a um homem. etc... etc.. . segundo: "angústia", do graciliano (1936). lá o tema "aborto" é escancarado. num brasil patriarcal movido a fundamentalismo pseudo-religioso, só pode dar nisso: aborto, aqui, é proibido. vai vendo. é proibido porque a masculinidade tóxica e retrô decide sobre o corpo da mulher. e, na aula, disse que o corpo da mulher é da mulher mesmo. a decisão é dela. insisti com os estudantes para que me dissessem o que pensavam do que eu estava mostrando, falando. olhem, fui acolhido, principalmente pelas mulheres, ali. algumas agradeceram por ser uma figura masculina a tocar no assunto tão delicado e do onde muitos outros homens fogem. eu quero poder fazer alguma coisa. dar voz, pelo menos. levantar o assunto, na sala de aula. fiquei comovido, cara de palerma, ainda bem que tava de máscara. mas continuo comovido. e você, professor, professora... até quando vai se calar?

segunda-feira, 7 de março de 2022

autor de abolição via vargas entrevistado na tv - campinas

                                           

sim, eu mesmo! carlos h carneiro

meu romance "abolição via vargas" ganhou pauta na eptv-campinas, neste março 2022

veja como foi no vídeo abaixo
[ na descrição dele, saiba como comprar ]




domingo, 27 de fevereiro de 2022

para salvar povo brasileiro



   SALVAR DA INDIGÊNCIA CULTURAL

- - livros de história
- - livros de literatura
- - livros de ciência
- - orientação sexual
- - combater violência de qualquer ordem

  CONTRA IGNORÂNCIA E NEGACIONISMO

- - escolas estruturadas
- - professor(a) assistido(a)
- - comunidade integrada à escola
- - interpretação de texto
- - cesta básica
- - povo vacinado e esclarecido

- - eleger quem apoia tudo isso - -

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

aula de literatura -- ensino médio -- professor oferece revisão grátis

 


aulas de revisão de história da literatura.
para ensino médio e pré-vestibulandos.

por quê ?  - -  alcançar quem precisa; atingir quem tem dificuldade para estudar, seguir em seu curso

quando ?  -- agora ! a primeira aula já saiu! inscreva-se no canal! 

veja como é! clica no vídeo abaixo

[ tem pergunta pra você responder, na descrição, depois de asssitir ]



sábado, 19 de fevereiro de 2022

dinheiro ou remédio: escolha fácil

 

                                            [ tem uma líbélula aqui -- foto do autor ]

saúde dá sinais de melhora... a endocrinologista receitou um losartana e vou eu ladeira abaixo com a pressão que já esteve a 16 por 10... espero dormir melhor, pelo menos.

ponte preta perdendo no torneio mequetrefe da federação paulista. perdendo pela terceira vez seguida. único regozijo é saber que o tal pê-esse-gê com tanta gente de cofre cheio tomou três hoje. perdeu pro nantes. e o ex-quase-sempre-contundido ney perdeu pênalti.  outro dia foi o grêmio gaúcho que tomou três do modestíssimo frederiquense. que fase das elites do futebol. dinheiro não é tudo, já dizia o filósofo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

navegar é preciso -- saga de uma saudade de pedra

 

                                                                                                  [ laerte ]

"viver é muito perigoso", já escreveu guimarães rosa. nem precisava. 

é perigoso sim porque a gente depende do rebote do outro, quase sempre. equase sempre a gente vive em função do que o outro diz sobre nós. quando falo "outro" me refiro à sociedade como todo e àquele grupo determinado que nos cerca.

tenho depressão. fora isso, desde 2018, quando diagnosticado com câncer de próstata, venho buscando recuperar alguma autoestima. o tumor foi extirpado, estou vivo sim. mas tem essa busca por me restaurar. não é fácil. já a depressão... tento controlar... descobri que não posso exigir que qualquer outra pessoa viva minha dor, é fato. mas por vezes me pego tendo de explicar o que tenho -- depressão -- e isso vem cansando. 
remédios há, terapia idem, são circunstâncias importantíssimas. a questão é o que a gente faz com isso. 
tenho conseguido, acho, manter-me dentro das expectativas baixas. sem muito foguetório, sem poeira. até parei de engordar. na verdade, emagreci uns dois quilos, desde dezembro, até aqui, meio de fevereiro. ando querendo diminuir ansiedades, isso é fato. 
preciso acreditar menos que preciso autorização pra viver.
mas a pressão está alta (15 por 9). preciso exercício, dizem... antes do câncer até havia, mas depois, a sequela é bem essa: faltam ações que uma esteira só não cobre. que fase.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

abolição via vargas - romance

 

continuo a saga para divulgar meu livro, lançado em dezembro 2021

romance histórico, narrado quase todo o tempo em primeira pessoa. campinas, são paulo. a rua direita é personagem central da narrativa.

gente como santos dumont (o que voa); carlos gomes (o que rege); hercule florence (o que cria); miguel do carmo (o que joga) e bierrenbach (o que fala) fazem parte da trama. ela conta ainda com presidente washington luís, a iara, luiza xavaier de andrade, inês de castro, dentre outros.
aproveita!

clica para comprar ! agora

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

semana de arte moderna: cem anos 1922-2022

 

                                                [lustre original - instalado em 1911]

a construção do teatro muncipal de são paulo demorou cerca de seis anos, mais ou menos, para ser terminada. uma estrutura de estilos diferentes, contendo art nouveau e o neoclássico, pelo menos. sua inauguração foi em 1911.
di cavalcanti, mario de andrade, villa lobos, oswald de andrade, renê thiollier, anita malfatti, brecheret, ronald de carvalho, graça aranha, dentre outros, são os artistas dessa história marcante para nossa sociedade.
patrono do espaço é mesmo carlos gomes, maestro nascido em campinas, s paulo.
na praça ramos de azevedo, ao lado do prédio, há estátua dele. e, dentro do teatro, sobre o palco, também sua efígie está impressa, como se vê na imagem aqui.


                                    [ teatro municipal - são paulo ]

 saiba mais sobre o evento!

                           



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

já é fevereiro de 2022 - combater o negacionismo

 

os casos de ômicron, gripe influenza e outras doenças respiratórias estão aumentando. negacionistas são -- em boa parte -- responsáveis por essas contaminações. 
dados do governo do estado e da imprensa, em são paulo, dão conta de que a maioria das internações -- janeiro e fevereiro, 2022 -- é causada por falta de vacina ou, no mínimo, imunização com uma dose apenas. é o horror da ignorância e a falta de políticas claras quanto a frequência de não-vacinados em determinados locais. 
combater o negacionismo é urgente! 
divulgue campanhas de vacinação e oriente crianças, principalmente em escolas. vacinação salva vidas. quem não toma está ficando doente e morrendo. pior: contamina outros.

- USAR MÁSCARA (corretamente - cobrir nariz ao queixo)
- HIGIENIZAR AS MÃOS
- NÃO AGLOMERAR
- ÁLCOOL 70
- VACINAÇÃO

no estado de são paulo haverá fiscalização quanto a vacinados em escolas públicas, já neste semestre. escolas exigirão comprovante de vacinação, neste ano. é pouco, mas importante. é preciso dar respaldo a empresas em geral (restaurantes, escolas, casas de eventos, lojas, hotéis etc) para que possam não receber pessoas sem vacina.
as mortes estão aumentando neste início de 2022.
infelizmente, era previsto. 

 PRECISAMOS AGIR: VALORIZAR CIÊNCIA E A EDUCAÇÃO!


terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

nota social - carlos drummond

 


NOTA SOCIAL

O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos…
O poeta está melancólico.
Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.
O poeta entra no elevador
o poeta sobe
o poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.

    [ drummond, alguma poesia, 1930 ]
. . . . . . . .  .  .  .  .  .  .   .

* "assestadas" - - apontadas
. . . . . . . . . .  .  .  .  .  .  .  .

"nota social" faz referência a uma parte do jornal dedicada a personalidades tidas como importantes, na cidade, algo muito comum no século 20

aqui, no poema, o eu lírico expõe que não há espaço para suavidades. 
a árvore e a cigarra são desprezadas pelo progresso (anúncios). no cotidiano, há os automóveis, barulho de câmeras fotográficas. o poeta está melancólico. mesmo a agitação das pessoas com sua chegada parece vaia, ou seja, quem exercita o simples, a subjetividade, a poesia, não teria espaço.
o mundo está agitado. lembre-se: a obra foi feita no final dos anos 1920 e publicada em 1930. a melancolia do poeta se deve às crises, tanto na política brasileira, como nas consequências do "crack" da bolsa de nova iorque, em 1929.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

educação sempre liberta -- principalmente na escola

 

                                                [ imagem clichê pra atrair mais gente ]

não existem duendes que atacarão seu pudim de leite, assim como inexistem fórmulas mágicas para melhorar a vida de estudantes, em sala ou fora dela. quando a questão é deficiência de aprendizado, muito se lê sobre desatenção, timidez ou livros com poucas figuras. pode ser, pode não ser. e a avaliação, como vai? e a relação professor(a)-estudante existe?
numa viagem sem planejamento, todo motorista é cego. 
cego ou aventureiro. 
penso assim:
reuniões entre áreas; canal aberto, direto entre professores e direção, entre professores e coordenadores de nível (médio/ fundamental). existir avaliação de todo corpo docente e direção.
toda a comunidade precisa estar ciente das metas e objetivos das aulas de cada matéria. quando tudo se expõe, no início do ano, todos ganham. dar voz ao aluno é básico. não há quem suporte meia dúzia de aulas apenas anotando e ouvindo. o professor deve interagir com sua sala, transmitindo um mínimo de segurança, baseando seus conceitos na ciência e na cidadania. tratar de temas como ética, gênero, democracia e saúde é dever de todos.
não deve haver prato proibido no restaurante da educação.

sábado, 15 de janeiro de 2022

ensaio da visão: bandeira, magritte e saramago

                            

                                                [ the lovers - magritte ]

falei com meus alunos a respeito de "ensaio sobre a cegueira", saramago. gosto do livro, feito no final do século 20, traz visão sombria do desconhecimento que cada um tem de si mesmo.  lembro duas coisas singelas e pesadas, nessa história de arte e organismos. "the lovers", renne magritte e "a virgem maria", manuel bandeira.

embora magritte tenha falecido em 1967 e bandeira no ano seguinte, são estradas marcantes do olhar preso.
a tela do belga é aparentemente simples, um casal com os rostos cobertos por pano branco. nos versos do pernambucano, a cobertura é outra...

o poema é assim:

A VIRGEM MARIA

O oficial do registro civil, o coletor de impostos o mordomo     
        [da Santa Casa e o administrador do cemitério de S João Batista
Cavaram com enxadas
Com pás
Com as unhas
Com os dentes
Cavaram uma cova mais funda que o meu suspiro de renúncia
Depois me botaram lá dentro
E puseram por cima
As Tábuas da Lei
Mas de lá de dentro do fundo da treva do chão da cova
Eu ouvia a vozinha da Virgem Maria
Dizer que fazia sol lá fora
Dizer insistentemente
Que fazia sol lá fo
ra.

[ M Bandeira ]

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

maçã na mesa de professor não mata fome de verdade

 


maçã, na mesa do professor é imagem gasta mas infelizmente duradoura, na rotina iconográfica das escolas.
maçã caiu na cabeça de newton, dizem os românticos. pura lenda.
pouca gente acredita nisso.
isaac tinha mais o que fazer do que ficar debaixo de um tufo de folhas, comido por formigas, alvo de uma maçã, provavelmente podre, em sua testa glabra. claro que vou lembrar o gênesis", da bíblia, a quem a maçã é símbolo de pecado, prazer e sabedoria. mas isso é outra conversa.

o que é um professor? o emissor de conhecimentos? pessoa que garante a disciplina da sala? o chato que não dá nota boa? há muito desrespeito com educadores, sim senhor!
nas escolas é preciso fazer provocação sim, fazer perguntas sobre a vida cotidiana, desde como economizar água, até o caminho para as próximas eleições, sem melindres. 
professor é herói sim e precisa ser agregador.
contudo, há solidão demais no processo educativo, porque os professores pouco falam entre si. só a maçã não alimenta.